domingo, 27 de dezembro de 2009

História: Tratores UTOS e UTB

- No Brasil algum carro antigo bem raro é tratado com a mais alta fama. Isso não acontece com os tratores, os quais, em alguns modelos, são itens raros não só aqui no Brasil mas no mundo todo.

- É o caso do trator UTOS 45 que foi exportado para o Brasil pela Romênia e tem uma história bastante peculiar. Aqui no Brasil pode-se encontrar alguns exemplares ainda, mas na Romênia o trator praticamente não existe mais.

- Tive conhecimento do trator Utos quando passei por um sítio em minha cidade e me deparei com um antigo trator em um terreiro de café. Estava sem as rodas dianteiras, o capô e a grade estavam no chão e não se encontrava cor nenhuma nele, somente ferrugem.
- Na grade dianteira um emblema trazia o nome UTOS, e uma outra placa embaixo do banco identificava o ano de 1960. Tinha um motor de 4 cilindros a diesel bem grande e alguns detalhes que chamavam atenção.

- Desde então sempre procurei na internet informação para o tal trator, e infelizmente, não se encontra muito sobre o mesmo. Com o passar do tempo descobri se tratar de um trator Romeno da marca UTOS, modelo 45, original na cor vermelha e o porque de não se encontrar informação tão fácil sobre o trator.

- Curiosamente o mesmo trator foi exportado para cá em duas versões. Uma com motor de partida elétrico, e o outro com motor de partida de um cilindro e dois tempos a gasolina (o famoso motor de garupa).

- Há algum tempo atrás consegui conversar com um rapaz que reside na Romênia, e por sorte ele me passou um breve histórico da companhia que viria a produzir o trator UTOS 45.

1925 - IAR (Interprinderea Aeronautica Romana) - (Companhia Aeronáutica Romena) é estabelecida como uma companhia francesa-romena. A principal atividade era a construção de aviões.
1925-1945 - IAR constrói 19 tipos diferentes de aviões e se torna uma das grandes fábricas de aviões do mundo.
1946 - Depois da segunda grande guerra, a União Soviética toma conta de grande parte das instalações da IAR. Neste período a IAR passa a produzir tratores e seu primeiro modelo foi o trator IAR 22, desenhado pelo engenheiro romeno Radu Emil Mardarescu, que copiou um trator Hanomag. O trator IAR 22 pesava 3400 kgs e era dotado de um motor diesel de 38 HP. O primeiro trator modelo 22 saiu da fábrica em 26 de dezembro de 1946 e o milésimo exemplar do modelo foi produzido no início de 1949.
1947 - O nome IAR muda para IMS - Interprinderea Metalurgica de Stat.
1948 - O nome IMS - Interprinderea Metalurgica de Stat muda para UTB - Uzina Tractorul Brasov, onde o foco passa a ser a produção de tratores.
1950-1960 - Neste período o nome da cidade de BRASOV na Romenia muda para ORASUL STALIN. Os tratores produzidos nesta época pela fábrica recebem o nome então de UTOS - UZINELE DE  TRACTOARE ORASUL STALIN.
1960 - Após a mudança do nome da cidade para Brasov novamente, os tratores voltam a receber a marca UTB, e neste ano o primeiro trator completamente Romeno, o modelo UTB 650 com motor diesel de 65 HP é produzido.
2007 - Infelizmente a fábrica da UTB encerra suas atividades depois de diversos problemas de ordem política, econômia e social.

- No site www.automobileromanesti.ro/Tractorul/ estão relacionados os modelos fabricados pela UTB e algumas fotos também estão disponíveis!

- O trator UTOS é um veterano romeno que foi produzido pela Uzinele de Tractoare 'Ernst Thalmann' Orasul Stalin (UTB Brasov), na Romenia, entre 1957 e 1962 sob a licença da empresa soviética MTZ da então Bielo Rússia.

- Foto do trator IAR 22

- Foto do trator UTOS 45

- Foto do trator UTB 650

- Finalizando, acredito que por motivos políticos, os romenos de alguma forma não consideram este período de 1950 até 1960 quando a cidade teve o nome trocado de Brasov para Orasul Stalin, tanto que no email que recebi, o rapaz se referia a esta época como um "curto" período de tempo. O que comprova isso também é o fato de se encontrar bastante informação na Romênia sobre os tratores UTB, e quase zero de informação a respeito dos tratores UTOS.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

História: O avô e o pai dos nossos tratores

- Como já escrevi antes, a grande importação de tratores no Brasil nas décadas passadas fez com que em nosso país fossem encontrados tratores das mais variadas marcas, modelos e anos. Os dois tratores a seguir não vieram para o Brasil na época desse grande volume de importação, mas foram importados muitos anos antes e iniciaram a mecanização agrícola em nosso país.
  
- Por se tratar de dois modelos que foram produzidos alguns anos consecutivos, não sei afirmar qual é mais antigo, ou qual foi importado primeiro. Na reportagem da foto, da Revista Globo Rural de Julho de 87, eles citam o modelo Waterloo Boy como ano 1913, e o trator Moline como ano 1914. Corrigindo a reportagem, o trator Moline é um modelo Universal e só posteriormente a marca se tornou a Minneapolis Moline. Na época do modelo a marca era apenas Moline.

- Esses tratores eram provavelmente movidos a Querosene, e não gasolina conforme informa a reportagem. O querosene era o óleo diesel da América do Norte, e os dois modelos são símbolos também dos primeiros tratores americanos.



- Por curiosidade, no Brasil existe um modelo Moline Universal no campus da USP de Piracicaba (foto da reportagem e foto em preto e branco), e outro modelo (fotos abaixo), comprado por um amigo colecionador em Minas Gerais. O mesmo o reformou e colocou em funcionamento, e hoje o trator está no museu Agromen em Orlândia.


- O Waterloo Boy da reportagem da Globo Rural é o mesmo trator Waterloo Boy de uma outra matéria aqui do Blog - O Garoto de Waterloo. O trator foi doado por um agricultor ao IAC de Campinas e o mesmo foi reformado pelo sr. Wilson Krause, como citado na edição do jornal O Sulco da John Deere.






- Pode ser que não sejam os mesmos tratores e exista outro, mas eu acredito ser o mesmo trator reformado várias vezes e exposto em ocasiões diferentes, como nas fotos acima, exposto em uma edição dos anos 90 da Agrishow em Ribeirão Preto-SP e no Museu Agromen em Orlândia-SP.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fotos Antigas: MASAL - Máquinas Agrícolas Santo Antônio Ltda.

- Por email, o amigo Marcelo Fernandes, da cidade de Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul, me enviou algumas fotos das primeiras trilhadeiras fabricadas pelo sr. Leonel Barcellos. O sr. Leonel fundaria então a MASAL - Máquinas Agrícolas Santo Antônio Ltda.

- A primeira foto mostra o sr. Leonel em um trator Zetor 25, lá pelos anos de 1954, segundo me informou Marcelo. As outras fotos também são da mesma época e mostram trilhadeiras fabricadas pela Masal.

- O Rio Grande do Sul esteve sempre um passo a frente na mecanização agrícola, principalmente por sua colonização européia, e também pelo pioneirismo destes homens que criavam máquinas para substituir o trabalho manual.

- Obrigado Marcelo pelas fotos, sempre que tiver alguma história me mande que publico aqui!




- Anexo aqui mais duas fotos. A primeira abaixo trata-se de uma Trilhadeira fabricada pela Masal. A segunda foi uma invenção do sr. Leonel Barcellos, onde o mesmo, cansado de ter de rebocar a trilhadeira, resolveu unir uma colhedeira e uma trilhadeira em uma máquina automotriz, criando assim uma colhedeira. Infelizmente pelo que sei, os sócios do sr. Leonel não se interessaram em produzir a nova invenção, e o sr. Leonel então, utilizou seu protótipo para uso próprio por dez anos!



- Foto publicada em 18/03/2014. Na imagem o sr. Leonel Barcellos posa pra foto junto a sua trilhadeira auto propelida. A foto retirei da página no Facebook - Fotos Antigas de Santo Antonio da Patrulha - RS


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Catálogos Antigos: Raspadora Niveladora CBT SS 700

- Para quem imaginava que a CBT era marca só de tratores e do jipe Javali, a marca também produziu implementos como esse scraper, modelo SS 700.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Propagandas Antigas: Esso e a máquina de cortar cana

- A propaganda a seguir é da marca de lubrificantes ESSO, mas mostra a foto de uma interessante máquina de cortar cana, operada por dois trabalhadores. No pequeno comentário se diz:

"Máquina de cortar cana, capaz de produzir 200 toneladas diárias, contra as 3 toneladas conseguidas pelo processo manual. Há produtos Esso apropriados a todos os tipos de máquinas agrícolas."

terça-feira, 13 de outubro de 2009

História: Tratores Brasitália

- Eis aqui um assunto curioso. Pouco conheço sobre os tratores Brasitália e apenas cheguei a ver algumas esteiras Brasitália a venda em classificados da internet. Escrevo aqui a partir de um pedido feito em um comentário no blog, onde alguém solicitou se falar a respeito dos tratores Brasitália. Talvez criando esse tópico conseguiremos atrair pessoas que saibam mais a respeito da empresa.

- Na foto coloco um artigo que digitalizei da revista Dirigente Rural, onde a reportagem é sobre a II EXPOSIÇÃO NACIONAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS, realizada em Piracicaba - SP, em setembro de 1965. No artigo aparecem fotos das máquinas nacionais da época como os tratores da Massey e seus implementos, o Ford 8 BR, os tratores Fendt, as carretas da marca Pontal, e por último a foto de um curioso trator-esteira da marca Brasitália, empresa de Santo André, que apresentou na feira o protótipo 300 C, com motor MWM de 2 cilindros, de esteiras e rodas, que podiam ser usadas separadamente, sendo somente as esteiras, ou somente as rodas, e também, conjugadamente ?!?!?!?!

- Por constar no artigo que o trator era um protótipo em teste, pode ser que o mesmo não chegou a ser produzido, mas isso não se pode afirmar certamente. Somente coloco aqui o artigo com as fotos do trator como uma curiosidade dos tratores antigos realmente brasileiros!!!


- ATUALIZAÇÃO - 08/06/2010.

- Recebi do amigo e leitor do blog sr. Rodolfo duas páginas de catálogos dos tratores Brasitália, onde aparecem os modelos 300 CR, 400 CR e 300 C.

- Curiosamente na descrição da página aparece Brasitália Tratores S.A. (Empresa do Grupo Santa Matilde), e curiosamente também, os tratores são parecidos na construção, modelo e nome aos tratores Santa Matilde.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

História: Tratores à álcool

- Muita gente nem imagina, mas por volta de 20 anos atrás a Valmet lançou uma linha de tratores movida à álcool. Era o começo da produção de álcool no país. O lançamento de carros, caminhões, e até tratores que usavam o combustível foi inevitável.

- Claro que muitos destes tratores não vingaram. Os poucos que devem ter resistido foram tratores usados em usinas de álcool. Mas hoje com essa nova explosão do álcool como combustível, e grande aumento do preço do diesel, é provável que se volte a ver tratores desse tipo trabalhando!


- Explicando melhor o funcionamento desses tratores à álcool, segue aqui a informação retirada de um artigo da seção Super Auto, escrito por Arnaldo Keller, no site do jornal Primeira Mão - www.primeiramao.com.br/editorial/SuperAuto/editorial_veneno293.asp:

" Em 1983, portanto, há 24 anos, vivíamos o primeiro arranque do Proálcool – governo Figueiredo, fim da ditadura militar. Nessa época, lembro, as fábricas de tratores Valmet e Massey Ferguson lançaram seus tratores com motores a álcool. O Valmet 88 BID, com motor de bloco reforçado, pesado, de diesel, curiosamente, usava dois combustíveis, o diesel e o álcool.

Dois tanques separados, um pra cada um, duas bombas de combustível. Lembro que tinha taxa de compressão alta de 16 ou 17:1 (taxa normal dos motores a diesel). Como não tinha vela de ignição, o que provocava a queima do álcool era a queima do diesel, que, ao ser comprimido, queimava. A proporção era de 85% de álcool e 15% de diesel. Esse trator, com 90 cv de potência, gastava 10 litros dessa mistura por hora de trabalho pesado na roça. Vejam bem, 10 litros/hora.


O Massey-Ferguson 290A, usava álcool puro (que na verdade é 93% de etanol mais 7% de água – esse é o álcool normal das bombas, o tal álcool hidratado). Para tanto, seu bloco era um bloco de motor a diesel, reforçado, pesado, que tinha um cabeçote de motor do ciclo Otto, ou seja, cabeçote de motor a gasolina, com velas de ignição. Taxa de compressão de 16:1. Esse motor, também com 90 cv, gastava um pouco mais, ele gastava 12 litros/hora no trabalho pesado, ou seja, puxando arado ou grade. Vejam bem, 12 litros/hora."

** Quem desejar, continue lendo a crítica do autor aos carros flex de hoje em dia, que só gastam combustível, enganando a todos!



- Esses motores usados pela Valmet utilizavam o próprio motor a diesel, que com elevada taxa de compressão queimava o álcool.
- Já o motor da Massey Ferguson, era um motor com cabeçote com velas, ou seja, um motor a álcool de ciclo Otto.

- Aproveitando o tema, coloco aqui dois catálogos dos tratores CBT a álcool de meu acervo particular. O primeiro, modelo CBT 3000, na época dispunha de um motor V-8 Dodge / Chrysler. O segundo é um modelo 8240, já mais recente, com motor Perkins a álcool. Ambas as versões ofereciam a opção original da CBT de carregadeira de cana!






- 22/09/2010 - Enviada pelo amigo Rodolfo, a última peça que faltava neste quebra-cabeças: a propaganda do Trator Ford 4810 movido a álcool!!! Com essa propaganda acredito ter postado aqui todas as marcas que se aventuraram nessa empreitada de tratores movidos a álcool.


- 10/04/2013 - Mais um folheto interessante para essa postagem: A pequena nota da ENGESA, para os tratores modelo 1021 à álcool!


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Museo del Tractores - Argentina

- Na Argentina, especificamente na Província de Cordoba, Vila Carlos Paz, existe um museu de tratores com um acervo bem generelizado, e que pode ser conferido através do site do museu http://www.museodetractores.com.ar/

- O museu teve seu início através da enorme paixão do senhor Oscar Atilio Gomez, que por anos comprava tratores antigos abandonados pelos campos argentinos, até que em 2003 conseguiu inaugurar o museu que foi o primeiro a nível nacional na Argentina.

- A Argentina assim como o Brasil, provavelmente foi importadora dos mais diversos tipos de tratores, e das mais diversas nacionalidades. Isso explica o fato de o museu conter peças muito interessantes. Fica aqui então a dica para se visitar o site do museu e algumas fotos!



sexta-feira, 14 de agosto de 2009

História: A Mecanização Agrícola no Brasil

- Continuando o assunto sobre o primeiro trator brasileiro, irei abordar agora o tema da Mecanização Agrícola no Brasil de uma forma mais ampla possível, começando então com trechos de uma matéria da revista Mundo Agrícola Nº 162 de Junho de 1965:

"A Mecanização Agrícola no Brasil"

"Foi somente após a II Guerra Mundial que, no Brasil, houve um sensível progresso no setor da mecanização agrícola , com o reestabelecimento do comércio de trocas entre o nosso País com as demais nações da América e da Europa. Acredita-se que, anteriormente ao conflito mundial, contava o Brasil com cêrca de 3.380 tratores, sendo a área total cultivada, naquela época, de perto de 14 milhões de hectares de terra. A nossa população era então da ordem de pouco mais de 40 milhões de habitantes."

"Depois do término da guerra de 1939-1945, o aumento do número de tratores tornou-se acentuado, chegando a importação, em 1951, a atingir o número de 11.142 máquinas tratorizadas, o que representava cêrca de 60% dos tratores existentes. A importação de tratores no período pós-guerra foi um tanto desordenada, tendo o nosso País recebido um número bastante considerável de máquinas sem nenhuma tradição no mercado internacional e provindas da indústria americana e européia que se transformavam de produtoras de equipamentos bélicos à produtoras de máquinas agrícolas e para outros fins. Foram inúmeros os tratores que, após poucas horas de uso, foram paralizados ou mesmo encostados por não se adaptarem às nossas condições ou pela precariedade de sua construção." (Somente essa parte já explica boa parte da história dos tratores antigos no Brasil...)

- Nesta matéria da revista Mundo Agrícola já temos uma idéia do quão desordenada foi a importação dos primeiros tratores, visto também que sua produção não era algo específico, e sim na maioria dos casos aproveitamento da indústria de veículos militares.

- Segue aqui trecho de uma matéria retirado da revista O Dirigente Rural de Jan/Fev de 1972:

"Até 1959 existiam cêrca de 150 modelos estrangeiros de tratores de diversas marcas e de diferentes tipos, obrigando o nosso agricultor a fazer as mais variadas adaptações nos escassos implementos agrícolas disponíveis. As fábricas dêsses implementos tratorizados eram relativamente poucas, pois, devido à grande diferença de um trator para outro, se tornava difícil produzir grades, arados ou cultivadores que se adaptassem a essas máquinas. Somente as indústrias de implementos de tração animal mantinham bons níveis de venda, não só pela baixa relação trator/área cultivada como também pela inexistência de concorrentes estrangeiros: os Estados Unidos e outros países desenvolvidos há muito já tinham praticamente abolido êsse tipo de mecanização."

"Outro fator que causava problemas aos agricultores era a falta de peças sobressalentes para reposição. Além de caras, pois precisavam ser importadas, demoravam muito a chegar ao País. Em virtude do excessivo número de marcas de tratores existentes, os revendedores nacionais de peças nunca possuíam estoques completos, fazendo seus pedidos por carta e ocasionando esperas de às vêzes até 4 meses. Ora, como nenhum lavrador pode esperar todo êsse tempo num período de safra agrícola, a solução era usar a tração animal, embora menos eficiente."


- Nesse trecho da revista Dirigente Rural um pouco mais "recente", ano de 1972, novamente é citado o problema com a importação de tratores das mais variadas marcas e modelos e sem nenhuma assistência para o agricultor. Pelo que se entende lendo as matérias, era o verdadeiro compre um trator e o problema é seu!

- Já nessa época de problemas, previa-se a futura "nacionalização" da produção de tratores, conforme o trecho abaixo retirado da revista Mundo Agrícola Nº 162 de Junho de 1965:

"Dentre as metas do Govêrno Juscelino Kubitschek, a da mecanização agrícola figurava de simples importação de tratores e implementos, não tendo cogitado da fabricação, no País, dêsse equipamento. Consistia, essa meta, na importação de máquinas com facilidades cambiais e em condições vantajosas de financiamento externo, dando, entretanto, grande ênfase à implantação da indústria automobilística. Após o estabelecimento desta, com a participação de todo o conjunto industrial de auto-peças, cogitou-se da fabricação do trator brasileiro. Na verdade, os primeiros ensaios sôbre a implantação da indústria do trator em nosso País, datam de 1956, quando foi criado o Grupo de Trabalho de Mecanização da Agricultura, que funcionava anexo ao Conselho de Desenvolvimento. O Decreto nº 40.260, de 01 de Novembro de 1956, estabelecia normas reguladoras da importação e distribuição de tratores e implementos agrícolas, orientando, também, a sua nacionalização progressiva."

"Em 1959, em São Paulo, foi realizado o I Simpósio sôbre a Fabricação do Trator e Implemento Agrícola no Brasil, sob o patrocínio da Secretaria da Agricultura do Estado e colaboração do Sindicato da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares do Estado de São Paulo, Sociedade Paulista de Agronomia, Sindicato da Indústria de Máquinas do Estado de São Paulo, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, etc.
Nesse certame foram, definitivamente, estabelecidas as bases para a implantação da indústria do trator no Brasil, sendo esquematizada pelo decreto nº 47.473 de 22 de dezembro de 1959, complementado pela Resolução nº 224, de 28 de dezembro de 1959, do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística). Êsse instrumento legal, estipulava que a produção nacional de tratores agrícolas deveria iniciar-se no decorrer do ano de 1960, com uma nacionalização mínima de 70% do pêso total, incluindo motor com pelo menos 60% de seu pêso, ou alternativamente, a caixa de mudanças com 70% de seu pêso, prosseguindo o processo de nacionalização até atingir 95% do pêso do trator em 30 de junho de 1963.
O decreto previa, ainda, a importação, sem cobertura cambial, de máquinas e equipamentos, sem similar nacional, para instalação da indústria. Outro item do decreto em tela vedava a importação, a partir de 1º de Julho de 1960, de tratores completos e montados, com benefícios cambiais e fiscais."

- Dá-se início então as primeiras tentativas de se fabricar um trator nacional. Começa-se a correria com diversas marcas que já "montavam" seus tratores aqui, sendo elas: Valmet, Massey-Ferguson, Ford, Deutz (Demisa), Fendt e CBT (Oliver inicialmente).

- Anterior aos primeiros passos de nacionalização, a empresa Cockshutt canadense, e a Fiat italiana (Através da Fábrina Nacional de Motores), já mostravam interesse pela produção de tratores no Brasil, e chegaram até a apresentar propostas ao Governo Federal. Mas como nem tudo que reluz é ouro..... Dificuldades técnicas e econômicas barraram as propostas, e o Governo volta sua atenção para a importação conseguindo um empréstimo da ordem de 18 milhões de dólares do Eximbank de Washington, importando com isso de 1952 a 1955 mais de 30 mil tratores.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Propagandas Antigas: Trator Ford - Controlador de Serviço

- A propaganda já diz tudo: "Só os Tratores FORD tem o Controlador de Serviço". Certamente perto da concorrência o mostrador 5 em 1 era algo vantajoso!

- O controlador de serviço que equipava os tratores Ford na época indicava a rotação do motor, velocidade do trator (de acordo com a marcha), rotação da tomada de força, rotação da polia (qual polia??) e horímetro para as horas trabalhadas.

- Devia ser um pouco complicado ficar "caçando" os pequenos números no mostrador e se descobrir a velocidade, mas... fica aqui a bela propaganda para a época do lançamento!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

História: Demisa, a famosa Deutz Minas S.A.

- Facilmente são vistos por aí os tratores Deutz (brasileiros, pois existem os alemães importados e mais antigos). Os brutos são famosos pela motorização diesel mas com refrigeração do motor a ar, coisa que os destacou dos outros tratores e onde sempre usavam o lema: "Nunca Ferve"!!

- A Deutz fabricou os modelos DM 40, DM55 e DM 75. Todos com motor diesel e refrigeração a ar. O DM 40 era equipado com motor de 2 cilindros, o DM 55 possuia motor de 3 cilindros e o DM 75 possuia motor de 4 cilindros. Eram tratores robustos, com regulagem da bitola, e muita força.

- Os "reestilizados" DM 65 e Dm 90 nada mais eram do que os já conhecidos DM55 e DM75 com diferentes cubos nas rodas traseiras, agora sem a bitola regulável, e algumas outras modificações gerais. Já o Deutz DM 110 foi um gigantesco produzido com motor Deutz 6 cilindros diesel refrigerado a ar, mas não deve ter alcançado um número expressivo de produção como seus irmãos menores, e não tenho  muita informação a respeito desse trator.

- O artigo abaixo eu digitalizei de uma revista agrícola da época, e o assunto é sobre a produção dos primeiros tratores Deutz pela Demisa (Deutz Minas S.A.) que foram entregues ao governo para criação de frentes que "desbravavam" o interior do país, e também para venda aos agricultores através de financiamentos.



- A propaganda veiculada nas revistas da época divulga o trator Deutz e suas vantagens... e ainda convida o agricultor a comprar o Trator Deutz DM 55: 98% brasileiro e 90% financiado... 



- Fotos: Acervo particular.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

História: O primeiro Trator Brasileiro

- O trecho abaixo foi retirado da revista Mundo Agrícola de Junho de 1965, edição Nº 162 - Caderno especial sobre Mecanização Agrícola:

"A produção do primeiro trator nacional foi iniciada em 1960, sendo que coube à Ford Motor do Brasil S.A. a apresentação do 1º trator brasileiro, cujo lançamento se deu a 09/12/1960, em solenidade especial."
"Nesse mesmo ano de 1960, segundo a A.N.F.A.V.E.A., foram produzidos no país, 37 unidades. No ano seguinte, a produção nacional de tratores se elevou a 2.466 e, em 1962, o número de tratores atingiu a marca de 11.092 unidades. Em 1963 e 1964, os recordes de produção foram quebrados, alcançando as cifras de 22.110 e 33.399 unidades respectivamente, sendo que em 1964, os dados se referiam até o mês de Outubro."

- Até o final dos anos 50 e início dos anos 60, todos os tratores vendidos no Brasil eram importados. A produção de um trator no país começou a tomar forma na década de 60, com a implantação de empresas estrangeiras por aqui, e o encarecimento do produto importado.

- Mas por coincidência, e acredito eu, por correria das grandes montadoras também, na mesma época três grandes marcas iniciaram a produção de tratores no país, sendo elas: a Ford com seu famoso 8 - BR Diesel, a Massey-Ferguson com seu famoso MF 50 ou cinquentinha, e a Valmet com o também famoso Valmet 360.

- O mais prazeroso em se comentar essa história é que fica aquela velha discussão entre as empresas sobre quem realmente "fabricou" o primeiro trator no país. Isso para mim não interessa, pois, o mais importante é saber que na época de 1960 em diante iniciou-se uma nova era da mecanização agrícola no país, com a produção de tratores tão valentes que até hoje são vistos com facilidade trabalhando nas lavouras, mesmo depois de quase 50 anos!


*** Trator Ford 8-BR Diesel

- Tenho um pôster de propaganda da Ford que diz: Ford 8-Br Diesel, o primeiro Trator a Diesel Brasileiro. O mesmo possui uma linda gravura desenhada de um homem do campo com seu novo trator 8-Br, nas cores verde e amarelo.

- Antes disso a Ford desbravou o Brasil, e o mundo com seu trator Fordson 1918. Mais tarde, e o que vemos muito ainda pelo país, a Ford vendia os tratores de 4 cilindros a gasolina 2N, 9n, 8n e depois o mais atualizado o ford 600 ou Naa. Na era a Diesel, os tratores da marca no mercado eram os "Majores", o Super e o Power, e o pequeno Dexta.

- Já no início da década de 60 a Ford lança o 8-Br Diesel, com nome e cores bem brasileiros, talvez uma forma de puxar para o lado da empresa a fama de ser a pioneira na produção de tratores por aqui. O 8-Br dispunha de um motor 4 cilindros a Diesel da marca Perkins, e foi produzido também na cor azul, acredito que anos mais tarde, mas preciso me informar sobre o assunto.





*** Massey-Ferguson 50, o MF-50

- Para relatar a história desse trator coloco abaixo o artigo retirado do site da Massey-Ferguson que foi escrito na edição Nº 73 de Campo Aberto e adaptado do roteiro do vídeo “Quinhentos mil tratores” escrito pelos jornalistas Ruiz Renato Faillace e César Romagna, da Videomakers, e transmitido para todo o Brasil no dia 8 de julho pelo Canal Rural.

"Um trator conta a história da agricultura brasileira"

"A história que vou contar não pode ser lida em livros. Dizem que a nossa história é recente. Dizem também que a história da agricultura brasileira foi escrita em cima de um Massey. Mas nunca foi contada por um deles... pelo menos até agora.

Nasci em 1961, em Taboão da Serra, São Paulo, com 36 cavalos de potência. Fui batizado com o nome de MF 50, em homenagem ao slogan do Presidente Juscelino Kubitschek, cinqüenta anos de progresso em cinco de governo. Acho que é por isso que eu tenho o espírito de Brasil. Um espírito de conquista e desbravamento.

E assim sou conhecido desde então, como o cinqüentinha. Fui o primeiro trator genuinamente brasileiro. Herdei de meus primos Massey Harris, o Ferguinho 35, o revolucionário sistema Ferguson de levante. Mas não foi só isso que me fez popular. Sou altamente confiável, tenho um ótimo desempenho, gasto muito pouco e sou muito simples de operar.

Acompanhei famílias que apostaram tudo nas novas terras do Centro-Oeste. Desbravadores que iniciavam a saga... a busca de novas terras de novas fronteiras agrícolas. O Brasil era tão diferente. Eram 70 milhões de habitantes, 38 milhões deles vivendo no campo. A produção de grãos não passava das vinte milhões de toneladas. Como o Brasil mudou em tão pouco tempo.

Com o passar dos anos, outros irmãos foram nascendo: o 50x, o 65, o 95 já com 92 cavalos de potência. Aos poucos, mostrando serviço e sem negar trabalho, conquistei o homem do campo. A tecnologia que carrego se aplica a todos os rincões desse País e a todas as fazendas.

Em 1968, a Massey inaugurou o primeiro centro de treinamento para ensinar os operadores a me tratar como eu merecia. Como regular o implemento, fazer a minha manutenção, enfim, como me tratar e cuidar melhor. De 1969 a 1974, nunca se fabricou tanto trator nesse País. A produção passou de cinco mil para 29 mil unidades ao ano. Um recorde até hoje não superado.

Em 1976 meus pais resolveram mudar o meu jeitão. Fui promovido a Série 200. Agora com um motor Perkins, 4 cilindros; 8 marchas à frente e 4 à ré, uma revolução para a época. Metade de todos os tratores que estão no campo são iguais a mim.

Tenho 75 cavalos de potência e, por mais que o tempo passe, nada me substitui. Força, resistência e durabilidade são as marcas da minha história. Foi nesse tempo que a rede Massey Ferguson se consolidou. Acompanhou o pessoal que ia desbravar as fronteiras do País. Hoje, temos o maior número de concessionárias espalhadas por esse Brasil.

Vieram os anos 80. Chegaram a chamar de a década perdida. Nós do campo íamos fazendo a nossa parte. Era 1981. A fábrica de tratores veio para Canoas, no Rio Grande do Sul, onde até hoje todos nós nascemos. Em 1986, nossos motores começaram a sair turbinados. Essa tecnologia aumentou muito a nossa potência, sem gastar mais combustível.

Por mim e por outros da minha família, se conta a história da agricultura. Saímos da tração animal para a mecanização. Da subsistência para uma economia de escala. Mas tudo isso não teria sentido se não fosse para melhorar a vida de você, produtor rural. Agora, somos 500 mil tratores nascidos aqui."





*** Valmet 360

- A Valmet, marca Finlandesa de tratores, possui larga experiência na área, tanto que o grupo ao longo do tempo se juntou com a Bollinder Munktels, e depois com a Volvo Tratores, e hoje pertence a AGCO, que domina grande parte do mercado de tratores.

- Por aqui muitos Valmets 33 Diesel com motor Valmet são vistos ainda. Estes eram importados, e conforme informações de um amigo vieram dois lotes de 600 tratores, em sua maioria dos modelos 33 Diesel e alguns poucos no final do Modelo 359.

- No Brasil a Valmet instalou sua fábrica no ano de 1960 (conforme consta informações do site da própria empresa) na cidade de Mogi das Cruzes-SP, e logo após passou a produzir o trator Valmet 360 Diesel com motor MWM 3 cilindros. Este foi o primeiro modelo da marca produzido no país, e depois dele vieram o Valmet 600 diesel e por fim iniciou-se a produção do famoso Valmet 60 ID.





- Neste ano de 2010 a empresa Valtra comemorou 50 anos de Brasil. Como parte das comemorações a empresa restaurou alguns tratores que simbolizam a marca no Brasil. A iniciativa de resgatar os ícones da marca foi desde o primeiro Valmet 33 Diesel importado, passando pelo nacional Valmet 360 Diesel Brasileiro, Valmet 600 D, Valmet 60 ID, o Valmet 110 ID (famoso Zé do Caixão), chegando a homenagem até os Valmet 118 4x4 e 985 4x4 Turbo.