sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A Mecanização Agrícola no Brasil

** Continuando o assunto sobre o primeiro trator brasileiro, irei abordar agora o tema da Mecanização Agrícola no Brasil de uma forma mais ampla possível, começando então com trechos de uma matéria da revista Mundo Agrícola Nº 162 de Junho de 1965:

" A Mecanização Agrícola no Brasil"

"Foi somente após a II Guerra Mundial que, no Brasil, houve um sensível progresso no setor da mecanização agrícola , com o reestabelecimento do comércio de trocas entre o nosso País com as demais nações da América e da Europa. Acredita-se que, anteriormente ao conflito mundial, contava o Brasil com cêrca de 3.380 tratores, sendo a área total cultivada, naquela época, de perto de 14 milhões de hectares de terra. A nossa população era então da ordem de pouco mais de 40 milhões de habitantes."

"Depois do término da guerra de 1939-1945, o aumento do número de tratores tornou-se acentuado, chegando a importação, em 1951, a atingir o número de 11.142 máquinas tratorizadas, o que representava cêrca de 60% dos tratores existentes. A importação de tratores no período pós-guerra foi um tanto desordenada, tendo o nosso País recebido um número bastante considerável de máquinas sem nenhuma tradição no mercado internacional e provindas da indústria americana e européia que se transformavam de produtoras de equipamentos bélicos à produtoras de máquinas agrícolas e para outros fins. Foram inúmeros os tratores que, após poucas horas de uso, foram paralizados ou mesmo encostados por não se adaptarem às nossas condições ou pela precariedade de sua construção." (Somente essa parte já explica boa parte da história dos tratores antigos no Brasil...)

** Nesta matéria da revista Mundo Agrícola já temos uma idéia do quão desordenada foi a importação dos primeiros tratores, visto também que sua produção não era algo específico, e sim na maioria dos casos aproveitamento da indústria de veículos militares.

** Segue aqui trecho de uma matéria retirado da revista O Dirigente Rural de Jan/Fev de 1972:

"Até 1959 existiam cêrca de 150 modelos estrangeiros de tratores de diversas marcas e de diferentes tipos, obrigando o nosso agricultor a fazer as mais variadas adaptações nos escassos implementos agrícolas disponíveis. As fábricas dêsses implementos tratorizados eram relativamente poucas, pois, devido à grande diferença de um trator para outro, se tornava difícil produzir grades, arados ou cultivadores que se adaptassem a essas máquinas. Somente as indústrias de implementos de tração animal mantinham bons níveis de venda, não só pela baixa relação trator/área cultivada como também pela inexistência de concorrentes estrangeiros: os Estados Unidos e outros países desenvolvidos há muito já tinham praticamente abolido êsse tipo de mecanização."
"Outro fator que causava problemas aos agricultores era a falta de peças sobressalentes para reposição. Além de caras, pois precisavam ser importadas, demoravam muito a chegar ao País. Em virtude do excessivo número de marcas de tratores existentes, os revendedores nacionais de peças nunca possuíam estoques completos, fazendo seus pedidos por carta e ocasionando esperas de às vêzes até 4 meses. Ora, como nenhum lavrador pode esperar todo êsse tempo num período de safra agrícola, a solução era usar a tração animal, embora menos eficiente."



** Nesse trecho da revista Dirigente Rural um pouco mais "recente", ano de 1972, novamente é citado o problema com a importação de tratores das mais variadas marcas e modelos e sem nenhuma assitência para o agricultor. Pelo que se entende lendo as matérias, era o verdadeiro compre um trator e o problema é seu!

** Já nessa época de problemas, previa-se a futura "nacionalização" da produção de tratores, conforme o trecho abaixo retirado da revista Mundo Agrícola Nº 162 de Junho de 1965:

"Dentre as metas do Govêrno Juscelino Kubitschek, a da mecanização agrícola figurava de simples importação de tratores e implementos, não tendo cogitado da fabricação, no País, dêsse equipamento. Consistia, essa meta, na importação de máquinas com facilidades cambiais e em condições vantajosas de financiamento externo, dando, entretanto, grande ênfase à implantação da indústria automobilística. Após o estabelecimento desta, com a participação de todo o conjunto industrial de auto-peças, cogitou-se da fabricação do trator brasileiro. Na verdade, os primeiros ensaios sôbre a implantação da indústria do trator em nosso País, datam de 1956, quando foi criado o Grupo de Trabalho de Mecanização da Agricultura, que funcionava anexo ao Conselho de Desenvolvimento. O Decreto nº 40.260, de 01 de Novembro de 1956, estabelecia normas reguladoras da importação e distribuição de tratores e implementos agrícolas, orientando, também, a sua nacionalização progressiva."

"Em 1959, em São Paulo, foi realizado o I Simpósio sôbre a Fabricação do Trator e Implemento Agrícola no Brasil, sob o patrocínio da Secretaria da Agricultura do Estado e colaboração do Sindicato da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares do Estado de São Paulo, Sociedade Paulista de Agronomia, Sindicato da Indústria de Máquinas do Estado de São Paulo, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, etc.
Nesse certame foram, definitivamente, estabelecidas as bases para a implantação da indústria do trator no Brasil, sendo esquematizada pelo decreto nº 47.473 de 22 de dezembro de 1959, complementado pela Resolução nº 224, de 28 de dezembro de 1959, do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística). Êsse instrumento legal, estipulava que a produção nacional de tratores agrícolas deveria iniciar-se no decorrer do ano de 1960, com uma nacionalização mínima de 70% do pêso total, incluindo motor com pelo menos 60% de seu pêso, ou alternativamente, a caixa de mudanças com 70% de seu pêso, prosseguindo o processo de nacionalização até atingir 95% do pêso do trator em 30 de junho de 1963.
O decreto previa, ainda, a importação, sem cobertura cambial, de máquinas e equipamentos, sem similar nacional, para instalação da indústria. Outro item do decreto em tela vedava a importação, a partir de 1º de Julho de 1960, de tratores completos e montados, com benefícios cambiais e fiscais."

** Dá-se início então as primeiras tentativas de se fabricar um trator nacional. Começa-se a correria com diversas marcas que já "montavam" seus tratores aqui, sendo elas: Valmet, Massey-Ferguson, Ford, Deutz (Demisa), Fendt e CBT (Oliver inicialmente).

** Anterior aos primeiros passos de nacionalização, a empresa CockShutt canadense, e a Fiat italiana (Através da Fábrina Nacional de Motores), já mostravam interesse pela produção de tratores no Brasil, e chegaram até a apresentar propostas ao Governo Federal. Mas como nem tudo que reluz é ouro..... Dificuldades técnicas e econômicas barraram as propostas, e o Governo volta sua atenção para a importação conseguindo um empréstimo da ordem de 18 milhões de dólares do Eximbank de Washington, importando com isso de 1952 a 1955 mais de 30 mil tratores.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Trator Ford: Inovações da época

** A propaganda já diz tudo: "Só os Tratores FORD tem...". Certamente perto da concorrência o mostrador 5 em 1 era algo vantajoso!
** O Controlador de Serviço que equipava os tratores Ford na época indicava a rotação do motor, velocidade do trator (de acordo com a marcha), rotação da tomada de força, rotação da polia (qual polia??) e horímetro para as horas trabalhadas.
** Devia ser meio complicado de ficar "caçando" os pequenos números no mostrador e se descobrir a velocidade, mas... fica aqui a bela propaganda para que todos possam apreciar!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Demisa: a famosa Deutz Minas S.A.

- Facilmente são vistos por aí os tratores Deutz (brasileiros claro, pois existem os alemães bem mais antigos!). Os brutos são famosos pela motorização diesel mas com refrigeração do motor a ar, coisa que os destacou dos outros tratores e onde sempre usavam o lema: "Nunca Ferve"!!

- A Deutz fabricou os modelos DM 40, DM55 e DM 75. Todos com motor diesel e refrigeração a ar. O DM 40 era equipado com motor de 2 cilindros, o DM 55 possuia motor de 3 cilindros e o DM 75 possuia motor de 4 cilindros. Eram tratores robustos, com regulagem da bitola, e muita força.

- Através de um comentário deixado nesse tópico sobre a Demisa, coloco aqui mais alguns modelos fabricados pela Deutz brasileira: o DM 65 que era um DM 55 reestilizado, o DM 90 e o DM 110.

- Os "reestilizados" DM 65 e Dm 90 nada mais eram do que os já conhecidos DM55 e DM75 com diferentes cubos nas rodas traseiras, agora sem a bitola regulável, e algumas outras modificações gerais. Já o  Deutz DM 110 foi um gigantesco produzido com motor Deutz 6 cilindros diesel refrigerado a ar, mas não  deve ter alcançado um número expressivo de produçaõ como seus irmãos menores, e não tenho  muita informaçõa a respeito desse trator.

- O artigo abaixo eu digitalizei de uma revista agrícola da época, e o assunto do mesmo é a produção dos primeiros tratores Deutz pela Demisa (Deutz Minas S.A.) que foram entregues ao governo para criação de frentes que "desbravavam" o interior do país, e para venda aos agricultores através de financiamentos.



- A propaganda veiculada nas revistas da época divulga o trator Deutz e suas vantagens... e ainda convida o agricultor a comprar o Trator Deutz DM 55: 98% brasileiro e 90% financiado... será que na época compensava?